quinta-feira, 17 de março de 2011

Feriado em Budapeste!

Post atrasadíssimo, eu sei, mas como a semana que passou foi mais curta devido ao feriado nacional, tive que correr para cumprir todos os compromissos na universidade. Na terça-feira, 15 de março, foi celebrado o aniversário da Revolução Húngara de 1848. Por isso, tivemos um final de semana de quatro dias! 

A história dessa revolução é mais ou menos a seguinte: no dia 15 de março de 1848, iniciaram-se várias revoltas e derramamentos de sangue em Pest e Buda pela independência do Império Habsburgo, sob comando do Governador Lajos Kossuth e do Primeiro Ministro Lajos Batthyány. Houve, então, uma guerra civil na qual os magiares tiveram que combater o exército austríaco e também povos de outras nacionalidades, como os sérvios, croatas, eslovacos, romenos e os alemães da Transilvânia. Todos esses povos não estavam dispostos a aceitar a ascendência do povo magiar. Quando uma revolta em Viena começou, a Áustria aceitou a autonomia da Hungria. Contudo, a subida ao trono de Francisco José levou a Áustria a rejeitar o pleito pela autonomia da Hungria, provocando a Guerra Civil. Derrotando o exército austríaco por duas vezes, a Hungria declarou sua independência em abril de 1849. Até hoje, na data em que a Revolução começou, os húngaros vão às ruas para lembrar a bravura de seu povo e os seus maiores líderes, Lajos Kossuth e Sándor Petőfi. Para saber mais, clica aqui e aqui.

Resolvemos acompanhar as festividades de perto e fomos até o Parlamento para ver as paradas cívicas. Chegamos bem no final, mas pelo que entendi eles fazem uma demonstração cívica de uns 20 minutos. Pelo menos vimos soldados marchando, e eu pude pela primeira vez ver o Parlamento de perto. (Acreditem, não tinha tido tempo para ir lá ainda!)

O Parlamento Húngaro: surpreendente construção! 


Parada cívica... chegamos no final das demonstrações :-(





Esse é o famoso tram. Viajamos nele para poder acompanhar o resto das festividades no Museum Körut.


Chegando na quadra em frente ao Museu Nacional, vimos muita gente reunida. Mas o que me chamou a atenção é que o povo estava em silêncio, ouvindo a encenação com atenção e, de tempos em tempos, aplausos calorosos e urros de orgulho. Não entendíamos nada, mas pudemos ver o sentimento ufanista nos olhares das pessoas. A maioria delas andava com um um pin com as cores da bandeira húngara. Vejam na montagem abaixo: quantos pins e bandeiras vocês conseguem contar nas fotos?

Duvido que vocês consigam contar tudo sem se perderem!
Muitas bandeiras por todos os lados!
 Alguns personagens do dia:

Vendedora de pins/broches nas cores da bandeira
Homem em trajes típicos

O soldado e seu fiel escudeiro, devidamente fardados!
Senhorinha que vendia toalhas feitas à mão.
Detalhe da toalha: totalmente bordada à mão!
Vendedores de rua
Entramos no espírito da festa e colocamos pins também!

Nosso dia não acabou por aí. Como vocês podem notar, a primavera está chegando devagar aqui, e o dia estava lindo demais para ficar em casa. Nos próximos posts, falarei um pouco mais desse dia maravilhoso aqui. 

domingo, 13 de março de 2011

I wanna rock'n'roll all night!

Um super convite inesperado da Raquel agitou o final da semana: a banda do namorado dela, o Radek, iria tocar em Budapeste no último sábado - coisa que só acontece duas vezes ao ano. Ele é baterista da Kiss Forever Band, que faz cover do verdadeiro Kiss. Aliás, a banda toca muito bem e superou as minhas expectativas! O show aconteceu no Almássy Hall e eles tocaram as minhas favoritas I was made for loving you e I wanna rock'n'roll all night! Perfeito! (Clica nas palavras ressaltadas para ver os links!)

    






Acho que a Reetta também gostou do show!


Nós, super felizes após o show!
Ganhei uma baqueta! :)

segunda-feira, 7 de março de 2011

2 meses em Budapeste!

Hoje completo dois meses nesta cidade linda! O tempo voou! Abri os olhos pela manhã e me dei conta de todas as coisas que aconteceram, de tudo o que produzi, de tudo que já vivi e do quanto mudei nesse período tão curto. No entanto, ainda não conheço metade do que eu ainda quero ver aqui. Espero organizar meu tempo para explorar melhor o lugar! E ainda ouço as pessoas dizerem que devo sair viajando pela Europa como se não houvesse amanhã, pois é "baratinho" (ah, tá...). E o tempo - e o dinheiro - pra isso? Viagem, pra mim, tem que ser bem aproveitada, tem que dar tempo de ver e sentir o lugar, e não fazer aqueles tours correndo e depois sair publicando as fotos com as legendas trocadas...

Mesmo tendo um bom senso de independência, confesso que me perdi bastante aqui, que foi difícil nos primeiros dias, mas é errando que se aprende. E não adianta sentar e chorar porque no frio as lágrimas congelam e a viagem acaba sem nenhum glamour - e com a cara borrada ainda por cima! Aliás, achei uma reportagem bem legal sobre esse tema aqui. Apesar das muitas trapalhadas - como "comprar gato por lebre" às vezes por não conseguir ler em húngaro -, fui me apropriando do lugar e hoje já não dependo mais de mapas para me localizar para ir para os pontos mais relevantes na cidade, não me perco no metrô ou nos ônibus, nem fico comparando as letrinhas dos endereços com nomes esquisitos. Estou mais ágil no supermercado, porque antes eu demorava uma hora para conseguir comprar 3 ou 4 coisinhas (sem ler, é preciso revirar a embalagem em busca de dicas sobre o que vou comprar). Já consigo me fazer entender e me considero proficiente nas "palavras mágicas" de sobrevivência... A comida húngara, que no início era deliciosa, já se tornou comum e, decididamente, não é tão apetitosa assim. Me acostumei a receber a comida com a temperatura variando de morna a fria, mas muitas vezes me pego pensando em como eu adoro quando o prato vem fumegando. Já fiz a minha pasta italiana para as "gurias" algumas vezes aqui, porque eu até posso ser bem resiliente, me adapto muito bem às situações, mas preciso lembrar as minhas raízes de vez em quando. 

Para celebrar esse dia, a Ana nos fez uma surpresa e trouxe o famoso Kürtőskalács, uma especialidade que se originou na Transilvânia (quando essa ainda era território húngaro). É uma massa assada em um cilindro em um tipo de churrasqueira, que pode ter vários sabores, mas o mais comum é o de canela com açúcar. É de lamber os dedos! Coincidentemente, essa foi a primeira coisa que eu comi quando eu cheguei em Budapeste! Thanks, Ana!






:)

domingo, 6 de março de 2011

Stefánia út

Foi só eu reclamar um pouco da neve que ela derreteu rapidinho, dando lugar a dias de sol bem mais agradáveis. Apesar do frio e do vento, Budapeste começa a ficar mais colorida e, pelas mudanças na paisagem, dá para perceber que a primavera está chegando.

Hoje à tarde eu e a Ana saímos para caminhar um pouco no sol, pois fazia um dia lindo lá fora - mas bem gelado! Percorremos toda a extensão da Stefánia út, uma rua conhecida por abrigar várias embaixadas, como a da Líbia, da Suíça, do Líbano, do Irã, da Alemanha, da Eslováquia e da Itália. Contudo, o que atrai a atenção são as belíssimas construções e as árvores ao longo do caminho. Vejam com seus próprios olhos.

Stefánia Palota


O passeio no final do inverno!




A maravilhosa fachada em art nouveau do Instituto de Geologia Húngaro
(Magyar Földtani Intézet)

Detalhes no telhado do Instituto de Geologia:
há três estátuas de Atlas que carregam o mundo.
A porta principal do instituto:
fachada de tijolos e gesso de cor creme e com motivos de cerâmica azul.

Detalhes no muro - identificação


Embaixada da Itália - uma das várias nessa rua.

O Trabbant, o mais tradicional carro da época do comunismo,
é facilmente encontrado pelas ruas em pleno funcionamento!
Outra raridade à solta! Medo?

Abaixo, há um vídeo sobre essa rua "gentilmente" cedido pelo Google (para vê-lo, pausa as músicas do blog primeiro):

quinta-feira, 3 de março de 2011

Nevando... de novo!

No início da aventura, o cenário branquinho é lindo... muitas exclamações, muitos "oh!". Tudo é novidade! Dá vontade de ficar ao ar livre para apreciar a paisagem, de brincar na neve, deixar as luvas brilhantes com os flocos de neve... delicia, né?





Mas agora chega! Já não estou gostando dessa brincadeira de congelar o nariz pela rua! Quero primavera já!




*** Em um país tropical como o Brasil, tudo o que vemos que é um pouco mais espesso que a chuva e que forma aquela camadinha fina de gelo que atrai turistas do resto do país é chamado de "neve" e derivados ("nevar", "nevasca", "neviscar", "nevado"...). Como a cultura, a sociedade e o ambiente influenciam muito nas nossas escolhas linguísticas, é possível notar a interferência climática também na elaboração de um vocabulário especializado. Assim, em países acostumados com esse fenômeno, há um léxico enorme de vocábulos para designar a mínima diferença nos efeitos e na quantidade de gelo que se forma em dias muito frios. Não me arrisco a trazer aqui o léxico do húngaro, e já me contaram que há várias palavras para falar dos floquinhos de gelo. Vou apelando logo para o Innuit, a língua dos esquimós, que, logicamente, é fonte surpreendente de vocábulos sobre o tema (não deu tempo para traduzir do inglês para o português, mas se vocês estiverem curiosos, usem o Google tradutor logo à direita): 


Innuit snow lexemes (clica aqui para ver a fonte)
  1. apun - snow
  2. apingaut - first snowfall
  3. aput - spread-out snow
  4. kanik - frost
  5. anigruak - frost on a living surface
  6. ayak - snow on clothes
  7. kannik - snowflake
  8. nutagak - powder snow
  9. aniu - packed snow
  10. aniuvak - snowbank
  11. natigvik - snowdrift
  12. kimaugruk - snowdrift that blocks something
  13. perksertok - drifting snow
  14. akelrorak - newly drifting snow
  15. mavsa - snowdrift overhead and about to fall
  16. kaiyuglak - rippled surface of snow
  17. pukak - sugar snow
  18. pokaktok - salt-like snow
  19. miulik - sleet
  20. massak - snow mixed with water
  21. auksalak - melting snow
  22. aniuk - snow for melting into water
  23. akillukkak - soft snow
  24. milik - very soft snow
  25. mitailak - soft snow covering an opening in an ice floe
  26. sillik - hard, crusty snow
  27. kiksrukak - glazed snow in a thaw
  28. mauya - snow that can be broken through
  29. katiksunik - light snow
  30. katiksugnik - light snow deep enough for walking
  31. apuuak - snow patch
  32. sisuuk - avalanche



Abraços congelados!