sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Um mea culpa!

Passei aqui para fazer um mea culpa: o blog ficou completamente abandonado mesmo! Eu às vezes até começo a escrever as postagens que faltam, mas ficam todas no rascunho - ou seja: no limbo! Como eu havia comentado, estou completamente sem tempo, mas isso não me exime de culpa, né? Até o final de novembro darei fim a esse dramalhão mexicano que se transformou a escrita da tese e dedicarei um bom tempo em dezembro para atualizar e, finalmente, fechar o blog. Depois disso, novos projetos que já estão em planejamento seguirão no mundinho virtual também. Mas conto assim que as coisas se ajustarem...

                                                Até breve,

                                                            Aline 

quinta-feira, 14 de julho de 2011

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Visitinhas! [ou: um final de semana beeem feliz!]

Em um mesmo final de semana, recebi visitas mais do que especiais: a primeira, da minha querida amiga e colega de doutorado Ângela Klein, que está estudando na Alemanha. Tínhamos apenas 2 dias e meio, mas conseguimos aproveitar ao máximo o tempo juntas! As nossas caras de felicidade comprovam:




Buscando inspiração!


Não podíamos deixar de comer uma das especialidades húngaras: lángos!

Encontramos "as legítimas" pelas ruas...
mas com preço beeem europeu: quase 6.000 ft (equivalente a uns R$ 58)! Ui!

Elif juntou-se a nós no sábado para "tostar" ao sol! 

Na companhia da Ângela e da Elif, acabei descobrindo coisas que ainda não havia visto em Budapeste, como a Margit Híd - que vai ser tema do próximo post, ok? 

Outras visitas maravilhosas foram as dos meus tios Luiz e Ignês, com Vilmar e Sula, que estavam de passagem por Budapeste. Ficamos um dia inteiro juntos, mas valeu para matar um pouco da saudade do Brasil e da família:

Em frente à Opera




Presentinho para fechar bem o final de semana: pôr do sol em Varosliget! ;)


E tem trilha, sim senhores, para esse final de semana especial: CLICA AQUI!





terça-feira, 7 de junho de 2011

A biblioteca da universidade

Numa das tardes incrivelmente quentes em Budapeste, eu e Elif fomos procurar inspiração em um lugar bem apropriado: a fantástica biblioteca da ELTE, em Kálvin tér. O local era um palacete antigamente, e parte de sua arquitetura e decoração - em um dos andares - foi mantida. Acho muito difícil alguém conseguir se concentrar lá logo que entra no lugar: é preciso se recuperar do choque inicial. A biblioteca é simplesmente esplêndida! (Olha eu revelando a idade...)




O hall de entrada, visto de cima.


Até aqui, parece uma biblioteca comum... 

Essa é a visão que encontramos ao entrar
na parte em que a decoração do palacete foi mantida .

Imagina sentar e estudar nessas cadeiras?



Paredes ricas em detalhes.
MA-RA-VI-LHA!

As vantagens de se ter uma câmera sempre à mão

"Ocasión única: EXPERTO en sexo & amor". Tchanã!
Como muita gente sabe, não saio de casa sem a minha câmera fotográfica (o hábito foi herdado da minha irmã). Ela é pequeninha e cabe em qualquer canto da bolsa (ou mochila, na maioria das vezes). Passando pelo metro, em Astoria, não pude deixar de fotografar o generoso oferecimento por "serviços" do senhor à frente... Vai um especialista aí?

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Na verdade, hoje é 07 de JULHO de 2011!

Oi, pessoal!


Respondendo aos e-mails recebidos: sim, está tudo bem, e sim, eu quaaaase abandonei o blog, mas decidi, por fim, fechá-lo decentemente. Já estou na terra brasilis desde domingo, dia 03/07, à meia-noite e 15, horário de Brasília. A minha justificativa é a mesma de sempre: o último mês foi uma correria só, e não tive tempo nem de dar uma passadinha por aqui. Por isso, vou burlar a cronologia do blog e, nos próximos dias, vou fazer os posts atrasados, mas dentro das datas que aconteceram. É por isso que a data do post está tão atrasada, pois pretendo manter uma ordem nos fatos. 

Amanhã mesmo sai um post "novinho" (por que não?) sobre Szentendre, um vilarejo perto de Budapeste. Aguardem! 

domingo, 5 de junho de 2011

Ainda sobre as memórias do Holocausto...


Sábado passado, convidei Elif, minha nova colega de pesquisa na ELTE, que vem da Turquia, para visitar o Memorial do Holocausto, situado em uma antiga sinagoga. Há muito tempo queria ir lá, pois tenho uma curiosidade imensa a respeito das histórias da Primeira e da Segunda Guerras, bem como nas consequências do pós-guerra.

Trata-se de um museu interativo, onde passamos horas lendo, ouvindo depoimentos das vítimas e observando as reminiscências da época, como objetos, fotos, cartazes. Para quem tem tempo de visitar, é um local cheio de lembranças - chocante e  emocionante ao mesmo tempo.

A seguir, algumas fotos que tirei de lá. Para mais informações, clica no link no primeiro parágrafo.

O prédio está cercado por um muro, e passaríamos por
lá sem prestar muita atenção se não o estivéssemos procurando.

Há cápsulas espalhadas com objetos das vítimas.

Em cada uma das paredes, uma tela com pequenos filmes contando partes da história, ou com depoimentos reais. 

Nesse corredor, há muitas fotos e podia-se ouvir passos em marcha sobre o cascalho


A Sinagoga foi preservada e restaurada.

Eu e Elif, na frente do prédio.

terça-feira, 31 de maio de 2011

"Deus faz doçuras muito tristes."

(Clarice Lispector)


Saudade é ser, depois de ter." 
(João Guimarães Rosa)



Van Gogh
Hoje, mais uma vez, abri os olhos pela manhã com o pensamento nesses sete meses de ausência forçada, de pergunta abafada e ainda com uma incompreensão enorme dentro de mim. É difícil não ter essa primeira lembrança a cada dia. Não sei, ainda, se eu sonho e não lembro, e tudo o que se passou durante a noite emerge pela manhã, ou se os sonhos simplesmente desistiram de me invadir, e o pensar é fruto de uma reflexão constante. 

Eu primeiro xinguei, esperneei, me debati, chorei. Por meses. Como bem disse Caio Fernando Abreu, não adiantou - e não adianta. Há coisas que vão além da nossa natureza pesadamente humana. Então, respirei fundo. Tomei coragem.  Mesmo que ainda hoje uma pontada de dor me invada, que vez-em-quando os sentimentos presos no corpo insistam em transbordar, a névoa diante dos meus olhos começa a se desfazer para que eu perceba que o que ficou, na verdade, foi a melhor parte: a essência tão bem cultivada é o encantamento que me, e nos, modifica. 

Eu penso, depois de tudo, e de tanto, que o tempo não muda nada, mas a nossa forma de tentar ver e entender a ausência só se intensifica. A dor se transmuta, e cá dentro fica apenas algo de doce, de suave, mas que às vezes retoma a sua força aquietada. Mas o nó, aquele entre a boca e o peito, continua. 

Hoje, sete meses - sem. 


Eu hoje me forço a virar essa página já amassada de tanto ser lida e, por isso, marcada para sempre. Apesar dessa cicatriz, eu não sinto mais um vazio, uma falta de sentir, mas vontade de me renovar. Apesar da dor, respiração cada vez mais forte. Apesar desse turbilhão que ainda me afeta, eu continuo a caminhar. Apesar da lembrança... a lembrança.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Almoço típico e... Dobostorta!


Este é um post muito, muito gordo. Se você estiver com fome, pare por aqui.


Fui convidada para um almoço típico na semana passada pela minha querida amiga húngara Nora. Chegando na casa dela, a família e amigos estavam reunidos para comer uma deliciosa carne de panela, cozida por horas no fogo no jardim da casa deles. Ma-ra-vi-lha! 

Lá conheci Elisabeth, brasileira, irmã do Gabriel, que fala húngaro perfeitamente e mora aqui há bastante tempo. Como sempre, os húngaros foram muito gentis, mesmo que somente Nora e Elisabeth pudessem se comunicar comigo, ou quando a conversa, em húngaro, me deixava um pouco de lado. Certamente, a barreira linguística é mesmo um grande entrave, mas a gentileza é universal!


Nora e eu - um tanto descabelada...
Elisabeth, eu e Nora

Mas escrevi este post mesmo para comentar sobre uma de minhas experiências gastronômicas mais deliciosas por aqui: finalmente experimentei a famosa Dobostorta, uma especialidade húngara criada por Jozsef C. Dobos, em 1884, e difundida no início do século seguinte nessa cultura. Essa torta é encontrada no famoso Café Gerbeau, mas é confeccionada em diversos estabelecimentos em Budapeste. A torta consiste de camadas finas de chocolate e creme especial, com nozes, avelãs e castanhas. No topo dela, há uma fina camada de caramelo. A receita está aqui, para quem quiser arriscar.








A Kibon, que aqui na Hungria é Algida, recriou a receita em formato de sorvete Carte d'Or - o sabor é inexplicável. Acho que foi a melhor coisa que provei aqui. De verdade!


Pedalando para Szentendre


No último domingo, dia 29 de maio, Veronika, Karla, Ana e eu levantamos bem cedo para uma "aventurinha" ciclístistica.


Quase fomos afetadas por uma preguicite crônica ao acordar, alegando que poderia fazer frio, mas quando nos demos conta, estávamos dentro do tram a caminho da Margit Híd, onde o dono da locadora de bicicletas esperava por nós (taí a Ana que não me deixa mentir). Passava das 8h da manhã quando nos pusemos a caminho de Szendentre (ver informações aqui e aqui), uma pequena cidade a aproximadamente 25 km de Budapeste. Foi uma viagem "bate-e-volta", como diz a minha amiga Lela, mas valeu a pena para descansar a mente e pegar um pouco de sol e ar puro pelo caminho. Havia esquecido como é bom andar de bicicleta! Talvez seja meu próximo meio de transporte no retorno ao Brasil!

No caminho, ainda em Budapeste, passamos por Óbuda, perto da Ilha Margít, onde há locais de relevância artística:

Na foto ao lado, há uma obra do escultor húngaro Varga Imre Gyüjtemény, na qual mulheres abrigam-se sob guarda-chuvas.










Nós, ainda penteadas e cheirosas...  :P




Fomos perguntando pelo caminho para as pessoas que encontrávamos, e numa dessas surpresas que a vida nos traz, dois húngaros muito gentis que também estavam pedalando nos guiaram até o local, dando dicas que eram traduzidas pela Veronika para nós.



Momento paparazzo: estou ficando craque em tirar fotos! Nesse momento, eu estava sob a  bicicleta em
movimento e consegui capturar um momento de alegria da Karla!


Ainda na estrada, passamos pelo Acquincum, antigamente a capital da província romana da Panónia, e uma das maiores cidades da Europa Central por muitos séculos. Foi descoberta no séc. XIX, e ainda hoje se podem ver os contornos das edificações que ali estavam:




Szentendre ainda possui as ruas feitas com pedras, edifícios coloridos em tons pastéis e igrejas com pináculos altos. A cidadezinha foi erigida por sérvios, no século XVII, mas se pode notar a influência grega também em algumas construções.





Muita, muita gente pelas ruas!





Visitamos o museu da artista Korvács Margit, que fez belas esculturas durante toda a sua vida. Em muitas das obras, pude notar um forte caráter religioso impresso nela, bem como a ideia de que a felicidade seria encontrada no casamento. Para a artista, parece que sua concepção de vida, num contínuo, seria: NASCIMENTO - CASAMENTO - MORTE. Saí de lá discutindo com a minha amiga e poeta Karla Kelsey, que também prefere fugir de tais noções tão rigidamente instituídas. Afinal, é possível e necessário preencher as duas pontas da vida com muito mais do que uma convenção, não é?



Nas ruas, a arte húngara está espalhada por todos os cantos:








E é claro que não dispensamos um bom lángos, feito no forno de barro, para o almoço:


Surpresa! Adivinhem o que eu encontrei por ali?

As legítimas.

Tenho a nítida impressão de que estou ficando muito parecida com meu pai... viemos por um caminho diferente daquele que havíamos feito na ida, e segui a minha intuição para guiar-nos de volta. Não errei nenhuma entrada, nenhum atalho! As placas começaram a aparecer quando estávamos na metade do caminho já, apenas para confirmar que estávamos na direção certa! Quando vimos, estávamos de volta à Margit Híd, e para a vista linda para o Parlamento! Foi um dia extremamente cansativo (mais ou menos 45 km de pedalada entre ida e volta), mas que me renovou inteiramente!

A recompensa: uma imagem linda nos aguardando além da Margit Híd!