quinta-feira, 31 de março de 2011

O viajante sobre o mar de névoa de Caspar David Friedrich, 
óleo sobre tela, 1818.
"O mundo é mágico. 
As pessoas não morrem, ficam encantadas." 
(João Guimarães Rosa)




Hoje, cinco meses de ausência. E de vazio.



quarta-feira, 30 de março de 2011

Festival da Primavera!

Está acontecendo, até semana que vem, o Budapesti Tavaszi Fesztivál, ou Festival da Primavera de Budapeste. Vários tipos de concertos, peças de teatro e exposições estão acontecendo quase ao mesmo tempo na cidade. A convite da minha amiga americana Karla, eu e Veronika fomos ao Kogart Ház assistir ao maravilhoso concerto do New Tallinn Trio, composto por piano, violino e violoncelo.


Fachada da Kogart Ház

New Tallinn Trio

Veronika, Karla e eu.

Eu, combinando com a decoração:

Sim, liguei antes para saber qual seria a estampa da cadeira! :P

* Finalmente um post no dia, não é?


Ah, Varsóvia...

Depois de quatro dias em Łódź sem ter muito para fazer além de participar da conferência, peguei o primeiro trem para Varsóvia no domingo de manhã. Como cheguei quase no fim da manhã, resolvi apressar as coisas e pegar um táxi até o hostel que havia reservado. Só então descobri que os táxis são caríssimos, ainda mais no domingo de manhã! Por uma distância relativamente curta, o motorista me cobrou uns 10 euros! Um roubo! Bem-feito pra mim, que não perguntei antes! 

Fora esse pequeno incidente, adorei a capital da Polônia! Durante a viagem de trem, li todo o guia que peguei no aeroporto quando cheguei e estudei os pontos mais interessantes do local. Pude, então,  aproveitar bastante o dia, pois sabia mais ou menos por onde andar. Aliás, caminhei tanto que, ao fim do dia, teria tomado um Dorflex para dor nas pernas! 

Recomendo o hostel em que fiquei para quem não tem muita frescura. No Emma Hostel, por uns 10 euros, você tem uma cama em um quarto coletivo, com banheiro também compartilhado. Pode parecer ruim, mas o local é bem seguro (tem um armário com chave pra cada pessoa) e o staff é bem legal. Havia gente de toda a parte no quarto onde fiquei, e por esse lado é bem legal ficar em lugares assim - mas por pouco tempo. 

A primeira parada foi um dos monumentos dedicados a Chopin (ouça um pouco aqui e aqui), que fica dentro do parque Łazienki Królewskie:



Nesse mesmo parque estão o Palácio sobre a água e também The Old Orangerie (clica nas expressões destacadas para ver fotos publicadas na internet). Infelizmente, não pude ficar muito nesse parque, e só depois descobri que há concertos com as obras de Chopin de graça ao meio-dia!

Tive que correr, pois meu objetivo era conhecer a "Old town", onde está a maioria dos lugares mais interessantes. Depois de uma caminhada de uns 40 minutos, cheguei ao centro da cidade. No percurso, comprovei o que contam do lugar: após a 2ª Guerra Mundial, a cidade foi devastada, e os poloneses chegaram a cogitar em não reconstrui-la, tamanha a destruição. Num esforço coletivo, o local foi totalmente refeito, e alguns locais, como a Old Town (cidade velha) parecem sair de um cenário de filme.


Uma das ruas só para pedestres

St. Alexander's church

Nowy Swat, uma das principais ruas de Varsóvia
Estátua de N. Copérnico, em frente ao Instituto  que leva seu nome

A residência do Presidente da Polônia, bem no centro da cidade!

O famoso hotel e café Bristol
Quando dei por mim, estava no meio de uma maratona que cortava a cidade!


A Igreja das Carmelitas, datada de 1780. 
Uma cerca bem modesta


À medida que me aproximava do centro histórico, as construções iam ficando mais coloridas:



Transporte público rápido e sempre no horário!

O centro histórico - chegada!
Detalhe da coluna erigida ao rei Zygmunt III
O Palácio Real, construído pela primeira vez entre os séculos XVII e XVIII, foi totalmente minado e destruído pelos alemães na 2ª Guerra Mundial após a Revolta de Varsóvia, em 1944. A reconstrução ocorreu durante o Regime Comunista pós-guerra. O relógio da torre badala todo o dia às 11.15 para lembrar o bombardeamento do castelo em 1939, quando o relógio parou nesse horário. O sino balança três vezes também por causa de três valores que os poloneses prezam: Deus, Honra e Pátria. 

O Palácio Real


Charrete - volta ao passado?

As ruelas da old Town

Bela arquitetura a toda volta!
Detalhe das construções do centro antigo
 Lindo, não? Pra não cansar vocês, paro por aqui. Logo posto mais fotos - ainda mais lindas! 

terça-feira, 29 de março de 2011

Ainda em Łódź...

Fiquei apenas quatro dias em Łódź, e foram mais que suficientes para conhecer a cidade. Tive sempre a ótima companhia da minha amiga Yhara, que encontrei no ano passado no congresso em Madrid, Espanha. A vantagem de se ter conhecidos nessas conferências é a possibilidade de trocar ideias com mais agilidade, evitando todo o blá-blá-blá do primeiro contato. Claro que conheci muita gente, fiz vários contatos de trabalho, troquei muitas ideias; mas estando com a Yhara, que tem interesses semelhantes aos meus, ficou bem mais fácil ter insights sobre os nossos trabalhos. Aliás, a semana foi muito proveitosa quanto a isso!

Aí vão mais algumas fotos da cidade:


Igreja ortodoxa russa

Igreja católica

Igreja Católica




Quando íamos para a conferência, sempre passávamos por um parque que estava infestado de corvos. O silêncio do local, mais o grasnido das dezenas de corvos, me lembraram muito o poema "The raven", the Edgar Allan Poe (veja a versão traduzida por Fernando Pessoa aqui), que é muito lúgubre e aterrorizante, ou, ainda, o curta que Tim Burton fez, Vincent, inspirado na obra desse autor. Confesso que senti alguns arrepios ao passar por ali...

Um corvo no alto de uma árvore
A língua, como comentei, foi uma das dificuldades encontradas. Pouquíssima gente entendia alguma coisa em inglês. Fiquei pensando nas pessoas que se aventuram em viagens sem saber pelo menos essa língua... Acho que devem passar poucas e boas! A nossa sorte, em alguns momentos, é que Michele fala Polonês muito bem, pois mora há uns 3 anos em Cracóvia.  

Algumas das placas com a língua local.
Como comprar remédio para dor de cabeça se você não sabe a língua:




Outra dificuldade foi com o dinheiro, pois a cada nova compra, um novo cálculo a ser feito. A Polônia faz parte da União Europeia, mas ainda não adotou o Euro. Parece que isso deve ocorrer em 2014, mas, enquanto isso, os preços seguem subindo para que o povo se acostume com a alta dos preços decorrente da troca de moeda. Aí vai uma mostra da moeda local, o złoty:


Uma nota de 20 Zlotych dá mais ou menos 5 Euros

Em compensação, a comida polonesa, descobri, é bem gostosinha. Destaco os pratos feitos à base de Kebab e a predileção dos poloneses por frango e porco. Aí vão fotos dos dois principais restaurantes que frequentamos:

1) Esse restaurante, bem no centro da cidade, serve pratos bem comuns, todos à base de Kebab. A salada que encontramos nos restaurantes, com muito queijo feta, também é imperdível.

Luminárias lindas!

Papo cabeça entre Yhara e Michele!

Yhara!
2) O Restaurante Esplanada foi o melhor lugar em que comemos em todos os dias de conferência. A decoração é bem diferente, música típica ao vivo, cardápio diversificado e comida saborosíssima. Dedão pra cima!


Relógio com números em formato de salsicha!

Parede forrada com jornais antigos e com fotos dos anos 50


Algo muito parecido com o "xixo" que fazemos no RS!


Jantar super para fechar a semana de conferência! 
Falando em conferência, no dia da minha apresentação, sábado, amanheceu nevando, com temperatura abaixo de zero! (Lembram da minha alegria só pela chegada de um calorzinho em Budapeste? Pois é.)

A placa do centro de conferências cercada por neve. (Oi, primavera?)

No fim, acho que foi um bom sinal: a apresentação foi ótima, notei que, em geral, as pessoas gostaram e tive alguns feebacks bem interessantes. A foto abaixo foi tirada pela minha amiga Yhara: 


No dia seguinte ao término da Conferência, fui de trem até Varsóvia, onde passei o dia caminhando pela cidade. Como só consegui voo para segunda de manhã, resolvi aproveitar a folga e conhecer mais um pouco da capital do país a pezito! Mas esse é tema para o próximo post!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Congresso em Łódź, Polônia!

Na semana que passou estive em Łódź, Polônia, para a conferência internacional "Meaning, Context & Cognition", na qual apresentei um pouco do trabalho que venho desenvolvendo no doutorado. Para quem se interessar, o resumo do meu trabalho está publicado aqui, nas páginas 102 e 103. 

A cidade de Łódź (lê-se /'woodj/  ouça aqui - o significado do nome é "barco") fica bem no centro da Polônia, e possui 26 milhões de pessoas morando lá. Mas não parece. Provavelmente, por causa do frio, as ruas são bem vazias e não há muito tráfego. 

Para chegar lá, saí bem cedo de Budapeste e voei até Varsóvia, de cujo aeroporto, Frederik Chopin, fui de ônibus até a estação central (Dworzec Centralny) para pegar um trem para Łódź. Tudo isso me guiando pelos ótimos mapas e livretos distribuídos no aeroporto. Até aí tudo bem. Quando cheguei na estação central, me perdi, pois ela é constituída de muitas galerias. Quando finalmente achei um balcão para comprar o tíquete para o próximo trem para Łódź, descobri que nenhuma das atendentes falava inglês! A primeira palavra que diziam era "Nie", ou seja, "não", mesmo sem saber o tópico da minha pergunta... Isso também acontece bastante em pequenos estabelecimentos em Budapeste, onde "nem" impera. Talvez seja uma negação coletiva à entrada de estrangeiros nesses países, ou uma forma de tapar o sol com a peneira em relação ao problema do turismo com barreira linguística. Se reclamei da Hungria sobre a questão da língua, a Polônia é infinitamente pior. Pouquíssima gente fala (um pouco) de inglês. Por fim, encontrei um rapaz na estação que foi bem legal e me ajudou a comprar a passagem e me mostrou a plataforma de embarque, já que é impossível adivinhar a informação pelo papel que te vendem na estação. A gente tem que procurar a informação em placas totalmente confusas que estão espalhadas pela estação.



A estação de trem, ainda em Varsóvia.

O senhor em eterna espera em uma das paradas da viagem


Felizmente, consegui chegar sã e salva na cidade, que foi construída no século XIX por judeus, alemães, russos e poloneses. Com a 2ª Guerra Mundial, ela foi devastada, mas não foi tão bem reconstruída como Varsóvia. Há sinais da guerra em muitas partes, e a maioria dos locais tem aparência austera e cinza. Ouvi dizer que o povo da cidade está fazendo um esforço para restaurar muitas partes dela.

Łódź é sede de festivais de cinema, design, fotografia e de quadrinhos - infelizmente, nenhum deles estava acontecendo naquela semana. O que há de mais interessante na cidade é a rua Pjotrkowska, pela qual eu e meus amigos italianos, Yhara e Michele, subimos e descemos tiritando de frio. As fotos a seguir não estão em ordem cronológica; selecionei as mais interessantes relacionadas a essa rua, que é cheia de estátuas, como vocês podem ver.

A famosa rua Pjotrkowska

Uma das pontas da rua

Yhara e Michele, com nosso novo amigo...

Filando uma leitura

No meio da rua há centenas de nomes de pessoas que ajudaram a construir a cidade -
a polícia nos deu uma advertência por tirarmos fotos no meio da rua (onde não passa ninguém!)

Lá?

Arquitetura antiga... 
Para cima e avante - sempre!

Bela pintura!



A calçada da fama de grandes nomes que fazem o cinema polonês

Fachada interessante de um bar

Novamente, a arquitetura anterior à Guerra


Encontramos alguns amigos para bater um papo "caloroso"

Estátuas de diferentes tipos pelas ruas

Estátua em homenagem aos 100 anos da instalação de energia elétrica na cidade.

No próximo post, continuarei falando sobre a minha curta estada em Łódź.  Beijos!