sábado, 30 de abril de 2011

Vai uma roupa usada aí?

Trago algumas imagens de uma feirinha de roupas usadas na Erzsébet tér, no sábado passado, ao som de música eletrônica com vozes brasileiras! Aliás, acho que topei com mais de 10 pessoas falando português brasileiro por ali! Um recorde!
Andei reparando que as húngaras compram muitas roupas de segunda-mão por aqui, e falam sobre isso sem problema algum. Aliás, tenho a impressão de que elas até se orgulham pelo fato de terem encontrado algo interessante em brechós, e por um preço incrível, normalmente - é por isso que esse tipo de negócio funciona bem nesse país
Reparem na organização desse povo:








O laguinho na frente da feirinha...

... com um quê de Redenção! (Alô, Porto Alegre!)

Comidinha brasileira!


No sábado passado, dia 23 (bem atrasadinha, né?), Raquel e eu fomos conferir o novo restaurante brasileiro aqui em Budapeste, o Corcovado Brasil Étterem. Lá, encontramos mais alguns brasileiros chegando. Nos juntamos a eles e tivemos um almoço típico muito legal! 

E-D: Luciano - Raquel - Lucas -
(amiga-americana-do-Lucas-cujo-nome-caiu-no-esquecimento...) - Eu e Rafael

Estava morrendo de vontade de comer uma carne vermelha (sorry, Dri!) e fui com toda sede ao pote. Como vocês sabem, aqui os húngaros só comem carne branca, de porco ou de frango. Imaginem, então, como é para uma gaúcha não comer carne por quase quatro meses... Matei a saudade de um bom PF - feijão, arroz, bife e mandioquinha feitos por brasileiros de verdade! 

Vejam só a decoração do restaurante, que mara:


A fachada...








O restaurante é muito legal, a comida gostosa, o ambiente aconchegante, som ambiente com MPB, a decoração é linda... MAS impliquei com uma coisinha. Vi um comercial feito para a televisão húngara por meio do Facebook e torci o nariz para as "mulatas" semi-nuas, trajadas "a caráter" e rebolando. Pelo que entendi, elas convidavam para conhecer o local, em húngaro. Só que mais uma vez, o estereótipo da mulher brasileira é jogado na cara dos estrangeiros: corpo à mostra, "ginga", festa e alegria... Preciso dizer que esse tipo de coisa atrapalha muito a vida de quem vem para a Europa para trabalhar e estudar em outras áreas (vejam bem, eu não estou dizendo que as moças do vídeo não estão trabalhando...). Segundo alguns estrangeiros com quem conversei aqui, a mulher brasileira é vista como "fácil", justamente pela imagem que o carnaval brasileiro exporta para o mundo. Aí a gente chega aqui e tem que trabalhar duro para mostrar que essa visão representa uma parcela muito pequena da população brasileira, e que há, na verdade, muitos "Brasis" dentro de um país só. Acho legal a iniciativa da comunidade brasileira (de acordo com o Rafael, que trabalha na embaixada, somos mais de 300 pessoas aqui) em montar um lugar que lembra muito a pátria amada - mas trata-se de uma memória que remete apenas à região sudeste - Rio, São Paulo -, mas acredito que a imagem que os brasileiros transmitem ao mundo poderia ser bem diferente dessa. 

Tô de volta!


UFA!!! Fiquei uma semana sem postar aqui, mas por bons motivos: terminei dois capítulos da tese e estou revisando o terceiro já (são 4)! Desde o feriado da Páscoa até hoje, me joguei nos livros e tentei dar conta de toda a lista de tarefas e prazos que eu havia estipulado. E consegui! Além disso, deu tempo de fazer várias coisas legais por aqui - e tirei muuuitas fotos. Logo, logo, tem mais posts quentinhos chegando! Aguardem!

sábado, 23 de abril de 2011

A seguinte conversa aconteceu logo que contei para um amigo que eu gostaria de ficar um tempo a mais aqui em Budapeste (claro que não lembro exatamente das palavras, mas foi mais ou menos como está abaixo):


(...)
- Tô pensando em ficar um pouco mais por aqui... Não sei se quero voltar, não.
- Para de viajar e volta pra casa, guria!
- Mas eu não estou "viajando"... eu tenho um bom motivo pra estar aqui! Além do mais, esse tempo fora está me ajudando muito a repensar as coisas.
- Eu sei disso, mas também sei que tu não paras. Parece que tem o bicho carpinteiro no corpo! Estou vendo que, depois dessa viagem, vais querer fazer outras. Tomaste gosto pelo negócio.
- Claro! Viajar é tudo de bom! Tu deverias experiementar!
- Acho mesmo é que tu deverias te acomodar.
- Olha, viajar é viver em intensidade. Qualquer tipo de viagem, mesmo aquela em que a gente fica no mesmo lugar, provoca alterações irreversíveis na nossa forma de pensar. A gente nunca volta a mesma pessoa.
- Sei, então a Aline que eu conheço foi abduzida e vai voltar outra no lugar?
- É. Mais ou menos. Ah, deixa pra lá. E outra coisa: se eu me acalmar, perco a graça! Preciso me movimentar. Como faço?
- Tá, mas acho que você nunca vai ter nada pra chamar de "seu". Vais ter que viver economizando se quiser viajar.
- Aí é que você se engana: vou ter muitas experiências e emoções que serão só minhas e de mais ninguém! É quase poético isso! 
- Poético, mas na dureza... Tá bom, você ganhou, pra variar. Eu já devia saber que não se discute com alguém de áries. 


*** Pessoal, a minha pesquisa está indo tão bem que pedi ao CNPq uma prorrogação de um mês na minha bolsa. A resposta veio essa semana: volto só em julho! 



sexta-feira, 22 de abril de 2011

Hoje eu acordei com saudade!

(clica na figura para ler)


* Aqui na Hungria não é feriado nesta sexta-feira - mas teremos uma Segunda-feira Santa! Eba!


quarta-feira, 20 de abril de 2011

¡Una buena noche para hablar español!


A mãe da Ana está passando a semana aqui conosco e as duas têm andado muito pela cidade. Infelizmente, só pude me unir a elas para um jantarzinho bem agradável ontem à noite. Fomos ao Pata Negra, famoso restaurante espanhol aqui em Budapeste. Lá, pude comprovar por que esses espanhóis gostam tanto da própria comida: degustamos saborosas (e super calóricas) tapas!





A fachada do Pata Negra

Por incrível que pareça, depois de anos sem falar uma palavra em espanhol, consegui conversar com a mãe da Ana e ser entendida! Logicamente, meu espanhol saiu beeeem capenga, e só por isso fiquei muito mais motivada a estudar essa língua de novo!

Seguem abaixo algumas fotos da nossa caminhada até a Szabadság Híd (Ponte da Liberdade), que fica pertinho do restaurante. Talvez as imagens mostrem porque ando suspirando quando caminho por aqui...

Erzsébet Híd (Ponte Elizabeth) e o Castelo de Buda ao fundo

Szabadság híd (Ponte da Liberdade). Atrás, o suntuoso Hotel Gellért
*sigh*

Vista de frente para a Ponte da Liberdade - e o bonde amarelinho chegando!

Dispensei o bonde - O "Ambrósio" já veio me buscar! :P

domingo, 17 de abril de 2011

Piquenique em Városliget!

Domingo, sol e calorzinho bom. Combinação perfeita para um programa ao ar livre! E o que eu acho muito legal é que é um dia ótimo para... não planejar nada! Perto da hora do almoço, decidimos pegar nossas coisas e irmos ao parque Városliget, que fica bem na frente do prédio, para um piquenique. Chamamos a Raquel, sempre animada para qualquer programa, que se juntou rapidinho a nós.




Aparentemente, todo o mundo vai para o parque para lagartear...

... e que tal tomar um banho de sol?
O homem ali atrás, por exemplo, já começou o seu projeto verão! :P

Fomos até o Vajdahunyad Vára (Palácio de Vajdahunyad) caminhando e lá perto encontramos o escritor Anonymus, que ficou famoso no Brasil por causa do filme Budapeste, baseado no livro homônimo do Chico Buarque. Dizem que se você encosta no lápis que ele segura, você consegue ter inspiração para a escrita. Na dúvida, encostei com todos os dedos! Estou precisando muito!









Na saída do castelo




Contornando o parque, nos deparamos com esse relógio do tempo, uma ampulheta gigante, que a princípio causa estranheza para quem o vê de longe.





"What is time then? If nobody asks me, I know; If I have to explain it, I do not know". (St. Augustine)

Havia uma placa com uma explicação para esse monumento, a qual traduzo (livremente) abaixo:

"A roda do tempo é uma escultura que simboliza o tempo. É a maior ampulheta do mundo, com 6 metros de diâmetro e pesando 60 toneladas. Construída com materiais duradouros, como vidro, aço inoxidável e granito, pode, dessa forma,  funcionar por séculos. O centro de metal regula o fluxo de areia da parte de cima à parte mais baixa da câmara de vidro, ajustando-se às mudanças de temperatura e aos anos bissextos. No último dia do ano, a roda do tempo é girada em semi-círculo, e então o fluxo de areia pode ser terminado e continuar no próximo ano. Essa virada é feita com cabos e com um mecanismo de rotação simples, por meio de força manual. A função primeira dessa roda do tempo não é medir o tempo, mas retratar a  sua monumentalidade, seu fluxo contínuo e seu movimento eterno."

Nada como uma metáfora bem concreta sobre a passagem do tempo!

Abaixo, deixo mais alguns registros dessa cidade que eu adoro fotografar. Quando vocês cansarem de ver esse tipo de fotos, eu paro! (Ou não!)





Um breve relato sobre o meu "Sandwich Magyar"

O texto abaixo foi publicado no Notícias Fale, jornal da Faculdade de Letras da PUCRS, de 14 de abril de 2011. Foi-me solicitado que eu escrevesse um depoimento sobre a minha experiência aqui:



Breve relato sobre o meu “Sandwich Magyar”!

por Aline Aver Vanin




“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.” (Amyr Klink)



A experiência de fazer parte de meu doutorado em Budapeste, Hungria, tem sido valiosa por eu ter a honra de estudar com um dos grandes nomes da Linguística Cognitiva, Professor Dr. Zoltán Kövecses, que gentilmente aceitou supervisionar meu trabalho ainda em 2009. Passados três meses do início do meu estágio aqui, já trabalhamos em conjunto em uma pesquisa sobre a conceitualização de emoções, que será proveitosa tanto para a minha tese quanto para o trabalho que o professor Kövecses vem desenvolvendo nessa área. Posso dizer que as discussões e as trocas de ideias nas reuniões de orientação têm auxiliado a melhorar consideravelmente o conteúdo de minha tese!
Estando aqui, pude participar de dois eventos importantes para meu trabalho por eu ter tido bom retorno para a escrita do meu texto. No mês de fevereiro, fui convidada para dar uma palestra para um grupo de doutorandos da Eötvös Loránd University, universidade na qual faço meu estágio, e dessa fala muitos comentários, sugestões e críticas valiosas surgiram. Em março, viajei para Łódź, Polônia, onde participei da Conferência “Meaning, context and cognition”, na qual apresentei o trabalho “On being angry and exploding: unveiling emotion concepts”, que tratou de parte do que desenvolvi na minha tese já aqui na Hungria. Novamente, foi um momento de trocar ideias e repensar aspectos fundamentais da minha pesquisa.
Mais do que desenvolver a tese de doutorado, estudar em outro país é uma experiência enriquecedora em todos os sentidos: conhecemos pessoas de várias nacionalidades (só no meu dormitório estão uma espanhola, uma finlandesa e uma turca...), aprendemos a respeitar e a lidar com uma cultura bem diferente da nossa e, principalmente, passamos a entender a nossa própria vida sob outras perspectivas – pois ao tomarmos distância do nosso mundinho é que conseguimos, de fato, “vê-lo”. Acredito, por isso, que todas as pessoas deveriam passar por uma experiência como essa. Não se trata, apenas, de uma oportunidade de desenvolver uma pesquisa de doutorado, de trabalhar em conjunto com o professor co-orientador, ou de fazer novos contatos na área de estudo, mas é um momento de crescer pessoalmente também. Desde que cheguei em Budapeste, no início deste ano, tive que passar por vários obstáculos, a começar pela barreira linguística. Na universidade, todas as pessoas falam inglês, mas meu maior desafio foi me comunicar pelas ruas desta cidade sem falar ou entender a única língua que – dizem por aqui – o diabo respeita! Mas como em todo começo, adaptei-me bem e hoje já domino algumas “palavras mágicas” que me garantem uma aproximação com os húngaros, já que eles reconhecem o esforço em pronunciar expressões como “köszönöm”, “Jó reggelt”, “kérem”, “Szívesen” ou “Bocsánat”, por exemplo. Além do problema de não conhecer a língua, tive que aprender a me adaptar à cidade em si – meios de transporte e lugares com nomes complicadíssimos à primeira vista, por exemplo –, à comida totalmente diferente da brasileira, e às condições climáticas (o frio chegou a -10ºC!), mas se não fosse a maravilhosa hospitalidade húngara, teria sido bem mais difícil!
Só quem vive um doutorado-sandwich é capaz de entender todo o processo de adaptação e o esforço de superação que se faz a cada dia. Não é apenas uma mudança temporária para outro país com todas as novidades que ela acarreta, mas um movimento que nos modifica por inteiro. Numa situação tão diferente de nossa vida cotidiana, não só vivemos a escrita da tese, nosso propósito maior, mas aprendemos a rever muitos de nossos conceitos, repensamos nossa própria vida e passamos a valorizar o que deixamos para trás – como tão claramente expõe a epígrafe de Amyr Klink.

Sziasztok!

sábado, 16 de abril de 2011

Feliz (aniversário)!

Como todo o ano quando acordo no dia do meu aniversário, abri os olhos e disse: "droga!". Sério. Nunca gostei muito dessa data, mesmo que na nossa cultura se diga que estamos "ganhando experiência", e uma das razões é que nunca faço nada de especial nesse dia. Lembrei de todos aqueles que estavam longe, daquele que ficou tão distante que nunca mais vai celebrar comigo, dos amigos com quem comemoro os aniversários em um só dia...

Lá fui eu me sentindo a última das mortais quando abri a porta da nossa sala comum e.. um mar de balões me esperava! Ana e Reetta prepararam a surpresa no meio da madrugada, enquanto eu dormia! Além dos balões, havia bilhetinhos para ir buscando pistas dentro de meias, nas paredes e no meio da nossa bagunça (imaginem...). Acho que nunca ri tanto.     



Explicando: esse cartaz foi produzido e enviado por nosso
querido amigo Stefano - atrás dele, havia uma das pistas...

Uma visão no mínimo otimista!

Depois de começar o dia muito bem, dei-me o direito de não fazer nada, mas nada mesmo. Bem diferente dos outros anos. Durante o dia, recebi muitas mensagens e alguns telefonemas, todos com efeito super positivo para tornar meu dia bem mais feliz!

Como esse aniversário seria diferente dos outros, chamei boa parte das pessoas que conheci por aqui para um jantarzinho em grande estilo no Paprika, um restaurante de comida típica húngara.

Ana e eu






E-D: Raquel - Reetta - Daniela - Ana - Veronica - eu - Nora
(foto roubada da Daniela)


Foi tão, tão bom reunir tanta gente bacana (notem a idade estampada na expressão linguística: "bacana") em um só lugar que eu queria fazer aniversário de novo! Mas, claro, com a condição de poder apertar a tecla "repeat" dos 29 anos! 

Adorei o meu dia! Sem dúvida, foi um dos melhores aniversários ever! =)