Ontem à tardinha estava falando com minha irmã via msn quando senti o prédio balançar. Não foi quase nada, mas senti a mesa e a cadeira tremerem bem levemente, e uma vertigem. Fiquei assustada na hora, fiquei em pé, mas achei que fosse coisa do prédio aqui, que é bem antigo, ou coisa da minha cabeça. Só hoje, através da Raquel, fiquei sabendo que a coisa foi um pouco mais séria: um terremoto de 4.8 graus na escala Richter atingiu a região central da Hungria! (Clica aqui, aqui e aqui para ler). Nada como um Sandwich com um pouco de adrenalina, não é?
domingo, 30 de janeiro de 2011
Terror Háza*
* Casa do Terror
"The past must be acknowledged..." (Attila József)
("O passado deve ser conhecido...")
("O passado deve ser conhecido...")
| Fachada da Terror Háza |
Depois de uma semana bem intensa de trabalho, aproveitei que o sol começou a derreter o gelo das ruas e tirei o sábado para descansar e conhecer mais um pedaço da cidade. Fui à Terror Háza, agora um museu, mas que antigamente funcionava como os antigos escritórios da polícia política.
Muita gente sabe que eu gosto muito de História, principalmente a da I e da II Guerra Mundial. Assim, a minha visita a esse local foi um prato cheio pra ver de perto a que ponto o homem pode descer para dominar o outro. O prédio é, em si, um marco, um monumento, às vítimas do terror, e vale a pena ser visitado para que a gente nunca esqueça desse período de injustiça e barbárie.
| Terror Háza - notem o efeito do sol. - foto retirada daqui |
| Hall de entrada |
Na entrada já há um impacto visual e auditivo. O marco logo no início e os sons lúgubres que tomam o ambiente dão uma impressão de "peso". Esse vai se transformando em angústia à medida que caminho pelo local. No centro do prédio há um tanque de combate e fotos de centenas de pessoas que foram mortas ali.
| Tanque da época |
Caminhando pelo porão, a sensação de ansiedade aumenta, porque há ali as celas onde as pessoas esperavam a morte, com fotos daqueles que ali ficavam. Há, também, várias referências às torturas: solitária, sala de interrogatório, salas de punição, forcas. Pertences das pessoas estão expostos em vários lugares, bem como suas fotos. Há vídeos com depoimentos, e é válido parar por alguns minutos e assisti-los. É aterrorizante pensar que todos esses eventos macabros tenham ocorrido ali.
| Corredor com fotos das vítimas |
| Parede de uma das salas com a correspondência das vítimas. Essa entrada aí à esquerda dá para outras celas, já que as prisões se estendiam em formato de labirinto pelo subterrâneo da Andrássy Út. |
| Arma utilizada na época |
| Objetos da época |
| Detalhes do casaco |
| Adentrando as celas |
Como as fotos da minha câmera não ficaram muito boas nessa parte, peguei emprestado as 4 próximas fotos desse blog.
![]() |
| Visão de dentro de uma das celas. |
![]() |
| Uma das celas |
![]() |
| Sala de interrogatório / tortura |
![]() |
| Gulag - Clique para ver a fonte |
![]() |
| No centro dessa sala há um manequim em pé com uma projeção do rosto de Ferenc Szalasi, líder do Arrow Cross Party húngaro. Ele foi o "Hitler húngaro", e seus homens executaram entre 10 e 15 mil judeus. Após a II Guerra, foi executado pelos Soviéticos pelos crimes de guerra - Clique para ver a fonte |
![]() |
| Sala dos dossiês - Clique para ver a fonte |
![]() |
| Clique para ver a fonte |
Saí dali quando o sol estava querendo ir embora...
| Andrássy út 60 |
| Aqui também tem um Moulain Rouge! |
| Batendo um papo cabeça com o carinha aí em cima |
| Coisas que a gente encontra assim, de repente, no meio da calçada... |
| Sunset! |
Tarde impressionante... e inesquecível!
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Hoje é dia de...
... falar português!
Fui visitar o Departamento de Língua Portuguesa na universidade e acabei conhecendo a Daniela, uma mineira que veio trabalhar como professora na ELTE. Nos encontramos com a Raquel para um bate-papo rápido no final da tarde, todo em língua portuguesa legítima! Está aí o registro!
| Daniela, eu e Raquel |
Fluffy light snow outside...
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Volta ao passado?
Às vezes dá a impressão de que o tempo parou por aqui. Foto tirada ontem, em uma das ruas do bairro onde moro.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
O bairro judaico (Zsidó Negyed)
Ontem pela manhã dei um tempo nos livros e nos papers porque estava louca para dar uma voltinha pelo reduto judaico de Budapeste. Havia um sol lindo lá fora, mas só pra enganar a torcida: a temperatura bateu os -3ºC - freeeeeezing! Quase me arrependi de sair de casa, mas já que havia me empacotado toda, não voltei atrás.
Como eu comentei aqui, estou morando provisoriamente por essas redondezas até o final do mês, então quis conhecer logo um pouco da influência judaica nessa cidade antes que eu vá para meu novo endereço, um pouco mais longe. O bairro judaico é bem delimitado (faz um "retângulo" entre a Károly Körut, a Dohány utca, a Kazinczy utca e a Király utca), e muitas coisas lembram essa cultura que veio para essa área da cidade no século XIX. Os judeus prosperaram nesse bairro até 1941, mas a partir daí, como se sabe, a ditadura nazista e suas leis anti-semitas arrasaram com milhares de vidas.
A maior sinagoga "Zsinagóga" da Europa fica bem pertinho da minha casa, mas de longe dá para ver as torres listradas de vermelho e branco. Dentro dela, muitos adornos, candelabros e vitrais no teto com detalhes riquíssimos.
No entanto, o mais interessante do local é ver o Jardim da Lembrança, um pátio onde, durante a II Guerra Mundial, foram reunidos milhares de judeus que morreram de frio e fome. Mais de 2000 deles estão enterrados ali em túmulos comuns, muitos sem identificação; àqueles que puderam ser identificados foram colocadas placas em homenagem.
| Placas com identificação dos judeus que morreram nesse local |
| O Jardim das Lembranças |
... para que a gente nunca esqueça!
Mais adiante, um salgueiro em aço "chora" pelas vítimas do Holocausto, cujos nomes estão gravados em suas folhas...
... e há também o "jardim dos justos"...
Simplesmente emocionante.
Saí de lá para andar e conhecer o bairro e fiz alguns registros.
Quando achei que meus dedos fossem cair de tanto frio (isso é o que dá ter a genial ideia de fazer um city tour no auge do inverno...), achei esse simpático café na esquina da Andrássy út com a Bajcsy-Zsilinszky út, onde entrei sem pestanejar para tomar um balde de chocolate quente... o lugar é super aconchegante e as bebidas vêm em porções super generosas. Vale bastante a pena sentar e ficar observando o movimento de pessoas dentro e fora do lugar.
Aquecida, mudei de perspectiva e fui até a Szent István Bazilika (Basílica de Santo Estevão), por pura curiosidade. Na chegada, uma imensa "tér" com dois obeliscos marcam o lugar. A Basílica é gigantesca e dá uma ideia do poderio da igreja católica aqui.
Lá dentro, muitas imagens de santos esculpidas com precisão, muitos adornos, vitrais, ouro... e um tamanho que me fez sentir uma formiga...
Seguindo num dos cantos dentro da basílica, entrei em uma pequena capela onde está a relíquia pela qual esse lugar é considerado o mais abençoado de Budapeste: a mão mumificada (hein?) de Santo Estevão... Confesso que achei um pouco bizarro, mas resolvi que não iria mais questionar os credos das pessoas... (De qualquer forma, ainda acho que a fé não está nos joelhos, se é que vocês me entendem.)
Assinar:
Comentários (Atom)







