domingo, 27 de fevereiro de 2011

Uma história escrita pela nova colaboradora do blog!

A pequena (e fofa) história que transcrevo abaixo foi escrita pela Ana, na qual relata, utilizando-se de metáforas, o nosso infortúnio do domingo à tarde:


Mum, the washing machine killed my white shirts

It was another Sunday afternoon in the Ajtósi Dürer sori Kollégium.
Rucola and Apple had just arrived from their short weekend promenade in a Butterfly Land. Olive was preparing her next works on the therapeutic benefits of Nutella and Apricot was writing about her work and the differences between the sun and the moon.
Suddenly, they decided that it was a good idea to wash their clothes. They couldn’t imagine that everything would end in tragedy…
Everything started when they mixed the colorful clothes. Rucola decided to go alone to the dark world where the washing machine lives. For new readers, I can explain that this world is very confusing and sometimes dangerous, because the washing machine’s game is dirty.
Apple was relaxing and then she decided to look for the clean clothes. She was removing the clothes from the machine, when a blue sock was caught as the first suspect of the crime. The world of the machine had betrayed the girls. Suddenly, Apple was nervous and scared; she screamed but nobody heard and ran down the stairs to meet the other roommates. The panic invaded everybody. Rucula proposed desperately to wash everything again in another washing machine, Apricot decided that fighting with the machine would be no use and the betrayal could be costly, Olive interrupted her work and she decided that for the coming  future they would never use this machine again.
But the devil has the form of a washing machine.
New jeans, new socks and new shirts originated from the tragedy, but, despite of that, they now have an exclusive new Spring Collection 2011 in their wardrobes. 


(by Ana Martinez)



Isso é o que dá tentar ser Amélia quando não se tem jeito pra coisa!


Shall we dance?

Prova de que não existem mesmo coincidências é a "topada" que dei na semana passada: eu estava na sala da secretária, esperando minha vez para ser atendida (e entendida, já que ela não fala inglês...) quando ouço um "obrigado". Foi instintivo buscar de onde vinha aquela expressão tão conhecida! Acabei encontrando, dessa forma, o Gabriel Santucci, brasileiro com descendência húngara que mora há 6 anos em Budapeste. A empatia foi mútua, como ocorreu com todos os conterrâneos que encontrei aqui. Gabriel me contou que participa de um grupo de danças típicas húngaras, que divulga a tradição e o folclore dentro e fora do país, e me convidou para conferir um dos ensaios.

Assim, na última quinta-feira, chamei as minhas roommates para ir junto, já que essa seria uma oportunidade maravilhosa de prestigiar a cultura húngara in locoAcabamos conhecendo também o coreógrafo e fundador desse grupo, Sándor Timár, que tentava nos explicar, por mímica, como as danças funcionavam. Elas são muito diferentes do que eu já havia visto; os dançarinos empregam força e energia nos passos, e a coreografia é composta por fortes pisadas e muitos giros. Por vezes, além de rodopiarem pelo salão, os  dançarinos ainda cantam músicas típicas. 

Éramos as únicas visitantes no local, e eu, pelo menos, me senti honradíssima pelo convite! Valeu, Gabi!

Seguem, abaixo, alguns registros dessa noite incrível:








Sándor Timár, aos 80 anos de idade,
ainda coordena as coreografias de perto com muita energia







Essa é uma foto de todos nós, no tram, de volta para casa!

Aline, Ana, Dora (uma das bailarinas do grupo), Reetta e Gabriel

As imagens abaixo foram retiradas do Google, só para mostrar como são os trajes típicos em dias de apresentação:

Clica aqui para ver a referência
Clica aqui para ver a referência

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Manhã de... lua!

Sábado, 9 horas da manhã, e a lua continuava competindo com o sol... (clica na imagem para ampliá-la)

As pessoas (e os sabores) que encontrei por aqui...

Essa vida nova, ainda que tão provisória, me trouxe tantas mudanças, e tantas coisas boas, que às vezes fico triste por antecipação por pensar que, em junho, tudo isso acabará. A convivência com as meninas do dormitório é super tranquila e divertida, e posso dizer que fazia tempo que não ria tanto - na verdade, não lembrava da última vez em que eu dava uma risada de verdade, daquelas em que o corpo todo sofre catarse! Se estou um pouco pra baixo, cansada, irritada, encontro nelas vários motivos para me animar! Acho que, na verdade, estamos todas nos ajudando, pois não acredito que seja só eu quem sinta isso tudo.

Na semana que passou, não fiquei um segundo sequer sozinha. Em outros tempos, acharia isso horrível, pois a escrita de uma tese requer concentração, silêncio e certo grau de solidão. Só que, dado o meu estado de espírito nos últimos tempos, gostei muito de estar sempre com algumas (ótimas) companhias. Na última sexta-feira, dia 18, fui com a Dani e a Raquel, minhas amigas brasileiras, ao Coffee Heaven, um lugar super popular aqui na Europa, para colocarmos a conversa em dia. É incrível como há certas coisas que somente conseguimos traduzir com (certa) precisão na língua-mãe! Ainda assim, em se tratando de sentimentos e emoções, parece que há sempre algo a ser dito que não cabe nos limites das palavras. O que sentimos fica entre uma palavra de emoção e outra, mas parece que muitas vezes não há um correspondente exato na língua. O encontro me fez muito bem, pois choramos as pitangas para então podermos nos sentir mais leves e comemorar pela não-coincidência de termos nos encontrado. 


Já no sábado, fui com meu novo amigo húngaro, László, à Galeria Nacional, que fica junto ao Castelo de Buda. Eu sabia que iria voltar lá novamente, mas dessa vez foi melhor do que eu imaginava. Os húngaros se orgulham de sua história, então grande parte deles sabe bastante sobre os fatos que fizeram desse país uma nação desenvolvida, embora tenha perdido grande parte de seu território para o que hoje é a Romênia, a Eslováquia, a Sérvia, por exemplo. Enquanto percorria os corredores da Galeria, László, que também é estudante de História, me contava sobre os infortúnios do país, como as guerras e as invasões sofridas ao longo do tempo por meio das pinturas expostas, incluindo, no relato, as datas (!) de cada acontecimento. Fiz tantas perguntas que o coitado do menino deve ter ficado até tonto! 


A fachada da Galeria Nacional



Além disso, no local havia a exposição dos quadros de um dos maiores artistas húngaros, Mihály Munkácsy, que ganhou reputação internacional por pintar quadros de estilo realista, como a trilogia da paixão de Cristo (Krisztus Pilátus előtt - Golgota - Ecce Homo). Lindíssimos! Havia chamado as meninas do dormitório para o passeio, mas a festa em que elas foram na noite anterior estava tão boa que não conseguiram ressuscitar! Nos encontramos depois no nosso restaurante favorito: o Bocadillo!


E-D: Eu, László, Reetta e Ana


Aliás, o que eu e as meninas mais temos feito juntas é comer! Temos experimentado muitos sabores diferentes! Na quarta-feira, tirei a manhã longe da universidade para sair com elas e fazer um programa diferente. Foi o primeiro passeio em que estávamos as quatro juntas! Caminhamos bastante e acabamos indo ao Mercado Central, o local favorito da Ana aqui em Budapeste, para apreciar uma das especialidades húngaras, o lángos, uma massa de pão achatada frita que geralmente leva alho, nata e muito queijo, basicamente. Só que, nessa tenda dentro do mercado, podemos escolher o que colocar em cima:


Tradicional tenda de Lángos

É comum as pessoas se instalarem em mesas compridas
no corredor do mercado para saborear as comidas das tendas.

Reetta e Olus prontas para atacar!

É preciso talento para comer tudo isso sem fazer sujeira... claro que não é o meu caso!


Nós quatro grudadas para nos aquecer... muito frio dentro do Mercado!
Detalhe: a minha mochila não tem poderes sobrenaturais!

Registro feito pela Ana

Pelas ruas - registro feito pela Ana


As fotos a seguir foram gentilmente cedidas por Stefano C. Ascione, que mostra a rua onde se localiza o mercado, que leva à Szabadság híd (Ponte da Liberdade), e duas cenas cotidianas dentro do local (belo jogo de luz!):


Ponte da Liberdade - por Stefano Ascione


Mercado Central - por Stefano Ascione

Transeuntes no Mercado - por Stefano Ascione


Nesse mesmo dia, encontrei-me com mais duas novas amigas, a Veronika, húngara legítima, e a Karla, americana, ambas professoras da ELTE. Veronika fez as vezes de anfitriã e nos levou a um café chamado Big Ben Teahaz, em referência à torre inglesa mesmo. Trata-se de uma casa de chás muito bonitinha, que serve misturas muitas vezes exóticas para um simples chá da tarde. Pudemos sentar em uma mesinha com toalha e louças parecidas com a casa de uma vovó e conversamos por horas sobre assuntos comuns. Interessante é que, já na saída, me deparo com uma cuia com formato parecido daquele em que gaúchos como eu tomamos nosso chimarrão. Foi então a minha vez de falar um pouco da minha cultura! (Bateu até uma saudade dessa bebida e das tardes na Redenção!)


Veronika e Karla

Eu e Veronika


Falando em restaurantes, descobrimos, pela Olus, que há um pequeno lugar dentro do nosso prédio de dormitórios que serve boa comida por preços justos. Cada última sexta-feira do mês é dedicada à culinária de um país diferente, e a escolhida da vez foi a Itália (que azar, né?). Posso dizer que, após esse jantar, decidimos sofrer um pouco e parar de comer essas coisas maravilhosas que servem por aqui por um tempinho - se ainda quisermos caber em nossas roupas! O grande "problema" é que para cada encontro com as pessoas queridas que conheci aqui, há sempre um prato delicioso, um café ou cappuccino que exala um aroma irresistível, que acompanham muito bem as muitas conversas nas quais venho participando! Que coisa, não?

E o Sandwich vai bem, obrigada!

Os últimos dias têm sido de muita correria por aqui, e por isso escrevi o post do dia 21 tão às pressas. Não gosto de deixar as coisas que começo sem continuidade, então dei uma parada em uma manhã de leituras para dar uma satisfação àqueles que me acompanham. Não tinha me dado conta de que os acessos à página ultrapassaram as 1800 visitas em pouco mais de um mês de existência! Acabei tomando o blog como uma responsabilidade, mas é claro que não quero que seja uma obrigação! 


Estive totalmente envolvida com a escrita de um artigo que já passa das 40 páginas (!) que já foi e voltou várias vezes para revisão e, também, com a preparação para dar minha primeira lecture aqui (uma espécie de aula) para um grupo de doutorandos e dois professores na ELTE. Fui convidada para falar sobre a minha pesquisa ainda na semana passada, e comecei a ficar ansiosa no mesmo dia.  


No fim, deu tudo certo! Apesar de alguns alunos terem dificuldades com inglês (as aulas são normalmente dadas em húngaro), consegui me fazer entender e a participação deles foi ótima. O professor Zoltán traduzia alguns termos mais técnicos para o húngaro, o que ajudou muito na compreensão deles. Inclusive, algumas das perguntas que surgiram e a discussão gerada dali me fizeram pensar sobre mais alguns aspectos do meu trabalho sobre os quais não havia me dado conta! Adorei! 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Tempo de novas perspectivas

...Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
(Clarice Lispector)




Ando pensando muito nesses últimos dias. E não é só "queimar a mufa", ou "furar as páginas com os olhos" (como diz a Heloísa Feltes), por causa da tese, que venho fazendo por aqui. Apesar de essa viagem ser dedicada ao estágio de Doutorado-Sandwich, entendi que essa é uma parte ínfima de uma experiência enorme de autoconhecimento e de análise, que só foi possível quando consegui tomar distância da própria bolha na qual eu mesma havia me inserido na minha rotina. Gosto de usar o pensamento de Eric Fromm, filósofo, para o qual é preciso que nos afastemos para realmente ver. É inevitável, por isso, repensar os caminhos que decidi tomar e aceitar que, de certo modo, esses foram os melhores trajetos (ou atalhos) que eu poderia ter escolhido. Não posso me arrepender por eles e nem voltar atrás: a vida é feita de escolhas e a responsabilidade por elas é só minha. 

Às vezes, o corpo fica abandonado em uma cadeira, em frente ao computador, ou jogado em um canto do trolley de volta para a casa, ou, ainda, caminhando pelas ruas geladas de Pest... e a imaginação viaja para bem longe. Penso nas atitudes e nas decisões que tomei em um passado não tão distante, em todas as relações nas quais estive envolvida, e, dada a distância, parece que vejo tudo de maneira bem diferente. Não sei se assumo o melhor ponto de vista agora, mas a mudança de perspectiva acabou servindo para ver com certa clareza o que ainda estava nebuloso. 

No início do mês recebi um comentário da minha amiga Samira que despertou minha atenção para tudo isso: segundo ela, esse doutorado não é só em Linguística, mas há outros propósitos "ocultos". Não havia pensado dessa forma, mas posso dizer que ela está certíssima: há mais coisas a serem refletidas e compreendidas do que o que está implícito na construção de uma tese. Esse pouco tempo em que estou aqui tem sido valiosíssimo  para fazer as pazes comigo mesma, parar de pensar no "E se...", para ver a vida a partir de uma outra perspectiva e, até mesmo, para modificar a minha relação com as pessoas com quem convivo (para melhor, espero). O que importa é que uma grande mudança está em construção e, certamente, não serei mais a mesma pessoa. Só que, de acordo com minha amiga Camila X. Nunes, "Se eu mudar mais eu viro outra pessoa, então só posso mudar coisinhas poucas."... A essência continua a mesma, mas, de resto, será impossível ser a mesma quando  eu retornar!




* E por falar em perspectivas, publico aqui um registro quase poético feito pelo meu mais novo amigo, Stefano, namorado da Ana, da vista do Castelo de Buda para o lado Pest (clique na foto para ampliá-la):


By Stefano Carlo Ascione

** Nos próximos posts, farei uma retrospectiva dos últimos dias, já que estive "um pouco" em falta por aqui. (Recebi alguns e-mails me cobrando, gente!)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Vou ali estudar e já volto!

Sziasztok!

Pessoal, não abandonei o blog, não! O motivo do silêncio é que tenho andado bastante ocupada com leituras, escrita e toda a correria que só um último ano de doutorado poderia proporcionar! :P
Volto a postar em um ou dois dias! 

                                                                                 Viszlát!


P.S.: Enquanto isso, pausem as músicas no "ipod" à direita e assistam a esse vídeo sobre a Hungria que a minha roommate, Ana, me enviou:



(No vídeo, aparecem algumas das muitas contribuições do povo húngaro para a vida moderna.)

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Budapeste, 7.40 a.m., -2ºC

Ao abrir a cortina hoje pela manhã, me deparei com essa paisagem linda lá fora! É como eu sempre digo: adoro um friozinho! :P


A vista da janela...


... no ponto do trolley...

... e o parque Városliget, na frente do prédio! Lindo!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Agora a casa está completa!

Como mencionei no texto anterior, a última integrante do nosso dormitório chegou no sábado passado, após férias na sua terra natal, a Turquia. Olus (lê-se /o‘lüsh/) é uma pessoa super discreta e reservada, e não podemos dizer que a conhecemos de verdade até agora. Como ela mora aqui há uns dois anos (!), dá para entender a sua atitude, pois já teve várias roommates diferentes. Eu não sei se aguentaria viver tanto tempo assim, pois às vezes sinto saudades da paz da minha casinha em Porto Alegre. Para Ana, Reetta e eu, tudo é novo, então conversamos bastante e sempre tentamos fazer várias coisas juntas. Mesmo assim, estamos tentando integrar a Olus nas nossas atividades.  

A mulher da comida, como Ana se auto-intitula, passou o domingo inteiro preparando comidinhas deliciosas para nós e como uma forma de dar boas-vindas à colega. Assim, iniciamos com um almoço com sopinha e tortilla de patatas e terminamos o dia com crepes de diferentes sabores. Delícia! Mas depois desse dia, prometi a mim mesma que essa semana vou me comportar na comilança! (*** Respondendo aos 4 ou 5 pedidos suplicantes que recebi via e-mail: vou aprender direito essas receitas para fazer quando eu voltar, ok?)

Nossa expectativa era que, por estar há tanto tempo aqui, Olus falasse húngaro, mas essa língua não é o forte dela. Continuaremos, então, lendo embalagens, cartazes, e-mails e todo o resto via Google translator! Confesso que essa história de ficar traduzindo as coisas pelo Google está ficando um pouco chata, porque acabo perdendo um tempão para descobrir as coisas. Ontem pela manhã fui ao banco buscar meu cartão para finalmente receber o dinheiro da bolsa de estudos e, sem surpresa nenhuma, percebi que o caixa eletrônico é todo em húngaro... quase bati na máquina - e no gerente, que me garantiu que as máquinas teriam a opção para inglês! Decorei os botões que devo apertar para tirar dinheiro, mas acho que vou  levar a câmera fotográfica para o banco e fazer como com a máquina de café: pedir permissão para tirar uma foto, usar o tradutor, e então fazer a operação. Contudo, descobri que há um caixa eletrônico com opção de inglês disponível a algumas quadras da universidade; então, para ter certeza das operações, vou ter que caminhar bastante. 

Ontem foi celebrado Valentine's day (dia dos namorados), e vi vários húngaros com flores nas mãos no metrô. Então eles sabem ser românticos apesar de aparentarem certa frieza! Rá!


Falando em Valentine's, não resisto em colocar alguns cartoons que dispensam legendas (clique nas figuras para aumentá-las!):





Havia combinado de me encontrar com a Ana para comprar algumas coisas que precisávamos para a casa e acabamos levando alguns doces em formato de coração para a Reetta, a última das românticas, que estava um pouco triste por esses dias. Fizemos o registro de todas as integrantes da casa com o presentinho: 

Aline - Ana (Espanha) - Reetta (Finlândia) - Olus (Turquia)
A carinha da Reetta é de felicidade pura!


Nada como um ambiente com tanta diversidade cultural... Até o momento, estamos nos entendendo, mesmo que para isso tenhamos que inventar alguns neologismos, porque há coisas que só a língua-mãe pode traduzir (e isso inclui nossas próprias emoções)!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Szia! Hello! Moi! ¡Hola! Olá!

Esse é um post "multilinguístico", pois na terça-feira recebi a minha colega de quarto que vem de... tcham-tcham-tcham... (adoro um suspense!) Barcelona, Espanha! A Ana chegou  carregando uma saliente cultura catalã. Estranhei ouvir alguém falando de maneira bem mais animada (e um pouco mais alto) por aqui, mas confesso que achei bem reconfortante essa atitude... lembra muito os almoços com minha família, de onde sempre saio "ouvindo vozes". 

Na bagagem, a espanhola trouxe muito mais que roupas, mas elementos típicos da culinária do seu país: óleo de oliva e azeitonas. No segundo dia, Ana já cozinhou uma tortilla de patatas ma-ra-vi-lho-sa para nós! Óh, céus, acho que não tenho escapatória: além de a cozinha húngara ser uma delícia, ainda temos uma espanhola que cozinha muito bem! Vou ter que voltar a fazer exercícios!

Ana chegou falando inglês com certa dificuldade, então muitos termos e expressões do espanhol são traduzidos para que a Reetta entenda. Juro que às vezes fico pensando como é que a gente consegue se entender! Contudo, temos um acordo tácito de que a língua oficial da casa é inglês, e a nossa nova colega está "se puxando" bastante para se comunicar - ao longo dessa semana, já notei uma melhora considerável no vocabulário e pronúncia! Além disso, percebemos que há coisas que só em línguas latinas ficam engraçadas, como as histórias que Ana me contou - que a Reetta não achou tão divertidas assim, pois a graça se perde na tradução. Mas o mais legal de tudo é que estamos compartilhando várias coisas novas sobre cada cultura: "No Brasil é assim...", "Na Finlândia é assado...", "Na Espanha é diferente...".

Ana explicando como preparar a tortilla de patatas

Reetta mostrando suas habilidades domésticas

Como fico o dia todo na universidade, Ana e Reetta têm se divertido bastante nos passeios por aí. Confesso que dá até uma invejinha, mas já combinamos alguns city tours juntas nos finais de semana! 


A composição plural da nossa casa - foto tirada na quinta-feira, 13/02/2011.


Como este blog que vos fala está sempre bem atrasado em função das atividades acadêmicas de sua dona, este é um resumo da semana toda, que culminou com nossa saída hoje à tarde. Foi um dia de sol lindo, mas gelado: fez uma média de 4ºC, mas a sensação térmica, com o vento, era de muito menos. Logo, nada de ficar passeando ao ar livre. Com a dica da Ana, fomos almoçar em um lugarzinho bem diferente: o Marxim, que fica em Buda. Para chegarmos lá, andamos bastante de ônibus e tram, mas valeu o esforço.



Ainda em Peste, trocamos o ônibus pelo tram...
Atravessando a Margit híd (Ponte Margarida), a linda vista para o Parlamento!

Chegada em Buda... em busca de uma boa pizza!


O Marxim é um restaurante todo constituído por temática comunista, com vários cartazes que lembram a época de Lenin e Stalin nas paredes, barras de ferro e arame farpado separando as mesas-cabines, bandeiras, luminárias e objetos da época, além de os nomes do cardápio serem todos inspirados nesse tópico. 


A gente não dá nada quando vê a entrada do restaurante, mas lá dentro...
  



Detalhes do hall de entrada




Cardápio com temática soviética.
   
Os nomes das pizzas são inspirados no comunismo!


Simpáticas para a foto, mas muito esfomeadas!


Luminária e estilo comunista e arame farpado por todo o lado...

Detalhes dos cartazes e objetos




Esse "carimbo" estava pintado em várias paredes





Cartaz perto do banheiro (e também o cartão de visitas do lugar).

Detalhe um pouco mórbido, mas bem interessante...

Voltando do restaurante, passamos pelo Millenáris Park, um antigo canteiro de construção  que foi transformado em área de lazer, onde entramos porque vimos a escultura em formato hiperboloide, abaixo: 



Reetta e Ana perto do lago...

Patinho amigo fazendo pose para a foto...

Competindo para ver quem é o mais rápido...

Infelizmente, estava muito frio e o nosso passeio terminou logo. Voltando para casa, passamos pela lindíssima Nyugati pályaudvar, uma das três estações ferroviárias daqui.






Quando chegamos em casa, a roommate da Reetta, que vem da Turquia, tinha acabado de chegar. Só que esse vai ser o tema do próximo post, ok? 


¡Adiós, cariños!